quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Continuo

E as nossas leitoras continuam nos matando de orgulho. Mais um texto sensacional!



Continuo a mesma. Continuo no mesmo endereço desde que nasci. Continuo com as mesmas árvores de folhas sempre verdes na calçada. Continuo na mesma casa, que mais parece um bosque. Continuo com a mesma janela que dorme aberta. Continuo com o mesmo nome, o mesmo sobrenome, RG, CPF, e Título de Eleitor. Continuo com o mesmo celular. Continuo com o mesmo jeito direto que assusta algumas pessoas. Continuo a mesma boba que sorri de nada. Que faz bico quando chora.

Continuo com o mesmo jeito nada tímido de falar com as pessoas. Continuo com a mesma cautela. Continuo com um exagero abusado e um drama para achar graça. Continuo falando bobagens. Continuo acreditando nos amores. Continuo quebrando a cara. Continuo brincando de ser feliz. Continuo eternizando letras. Continuo a ser loucamente apaixonada pela lua cheia. Continuo com minhas insônias ou sono demais. Continuo com minhas defesas, medos, desesperos. Continuo vivendo muito para dentro.

Continuo sem paciência para o social. Vez ou outra dou uma de João Gilberto. Continuo crítica, principalmente comigo mesma. Continuo azeda, mas muito doce quando doce. Continuo do contra. Continuo tomando remédio pra dor nas costas e viro a pessoa mais sonolenta do mundo sob o efeito dessa droga. Continuo séria. Continuo sorriso. Continuo com o joelho direito me perturbando. Continuo a fazer telefonemas de carinho ali no quintal, olhando para o céu. Continuo viciada em Negresco e a achar Uma Prova de Amor o melhor filme. Continuo a reclamar do calor. E se faz frio, reclamo do frio. Continuo a preferir o inverno.

Continuo fã de sorvetes com leite em pó. Continuo a me apaixonar todos os dias. Continuo a sofrer para pisar no chão e deixar a fantasia de lado. Continuo descaradamente Sincera e Franca. Continuo com umas coragens insanas. Continuo a irmã mais velha, não importa quanto os meus irmãos já estejam adultos. Continuo a perder a conta de quantos sonhos tenho. Continuo sendo várias, depende de quem me chama. Continuo louca por abraços. Continuo a ouvir as músicas de Nando Reis, Caetano e Maria Gadú incansavelmente. Continuo a sorrir dizendo que não tem nada a ver quando algo nao me agrada. Continuo a fingir que não tenho medo de avião. Continuo a pensar poesia dentro do carro. Continuo a me preocupar com as revoltas naturais do mundo.

Continuo com o mesmo perfume. Continuo sedentária, apesar das promessas. Continuo a trocar cinema por livro. Continuo lendo a Bíblia. Continuo a cobrir meu corpo inteiro quando durmo.Continuo odiando filmes de terror e adorando comédias românticas bem melosas. Continuo obviamente inocente para as maldades do mundo. E chata. E Teimosa. E arrogante. Continuo vivendo no mundo da Lua. Continuo calada quando muita gente fala ao mesmo tempo. Continuo essencialmente MPB e Bossa Nova. Continuo sempre com um trident de melancia na bolsa. Continuo a escrever cartas. Continuo a achar estranho unhas dos pés pintadas de vermelho.

Continuo a tomar banho fervendo, mesmo no Verão. Continuo a escovar os dentes e andar pela casa toda enquanto isso. Continuo com a letra quase ilegível, apesar de achá-la linda. Continuo a procurar erros de português em todos os cantos. Continuo a me sentir nua sem brincos. Continuo sarcástica. Continuo ótima ouvinte. Continuo sensível demais. Continuo insensível demais. Continuo achando sexta-feira o melhor dia da semana. Continuo acumulando leituras indicadas. Continuo a achar que chuva forte é aplauso. Continuo com inveja das pessoas que gostam de certos legumes e continuo amando leite gelado com Nescau. Continuo a ganhar o dia quando me dizem que andei emagrecendo. Continuo com meus cachos. Continuo a não usar batom. Continuo a achar A Menina que Roubava Livros um dos livros mais lindos que já li. Continuo preferindo a calça jeans. Continuo a achar melancia a fruta mais gostosa desse mundo.

Continuo apaixonada por Girassóis. Continuo achando que preciso usar óculos. Continuo com preconceito musical. Continuo com preguiça de gente. Continuo com saudades imensas de um lugar que ainda não conheço. Continuo a sorrir quando vejo uma câmera fotográfica. Continuo a sentar na grama. Continuo a me tranqüilizar quando a chuva cai lá fora. Continuo na minha sozinhez. Continuo a brigar com minha escolha profissional, amo o que faco e onde trabalho, mas ainda hei de ser advogada. Continuo a amar loucamente minha filha e meu filho. Continuo a querer ser pedida em casamento todos os dias. Continuo a achar que catchup, e chocolate são invenções dignas. Continuo Espírita. Continuo a ter que me cobrir da cintura até os joelhos, mesmo que o calor seja imenso, ou então não durmo.

Continuo a não ser mulherzinha. Continuo a não ter amigas mulherzinhas. Continuo a ter crises de enxaqueca durante implosões. Continuo a tirar o esmalte com os dentes deixando o chão cheio de pontinhos vermelhos, quando ansiosa. Continuo solta. Continuo amante de praias. Continuo achando que sair com minhas amigas pra beber vinha é o melhor programa do mundo. Continuo descabelada quando acordo. Continuo dormindo com o MP3 ligado e agarrada ao meu sapo de pelúcia. Continuo a contar meus mais amigos nos dedos da mão direita e esquerda. Continuo com doses de melancolia. Continuo a voar para dentro das pessoas quando vejo pedacinhos meus por lá. Continuo sendo apaixonada por Deus e tendo uma Fé inabalável. Continuo a chorar de repente, e assim ver o choro me aliviar. E depois, planto sorrisos. Continuo a me gastar de maneiras lindas. E a contabilizar meus pedaços assim, todo dia a cada fim de mês. Que eu escolhi para meu. Que me recebeu, com suas dádivas. Toda essa promessa de vida. E vários corações.


Por Emilia Lima
Colaboradora
semessadeamelia@hotmail.com

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Como esquecer alguém que não te faz bem

Nós mulheres temos a mania de sermos burras. E sempre colocamos a culpa no pobre do coração. Não, a culpa não é dele. No final somos nós mesmas que escolhemos por quem nos apaixonamos. Somos nós que permitimos que alguém, seja ele um bom homem ou não, entre em nossas vidas. Como? Simples. Quando você se deixa levar. Levar essa máxima de Zeca Pagodinho de que “deixa a vida me levar” com assuntos do coração definitivamente não é uma boa.

Mas vamos falar especificamente sobre os cafajestes que tem sido o nosso mote incessantemente. Vamos aos motivos. Por que nós nos apegamos? Mais simples ainda. Deixamos nos levar. Pelo sexo, pelas palavras bonitas, pelas atitudes enganadoras. “Mas Karol, a Kaline já fez um texto sobre isso. Tá copiando ela?”. Não. Apesar de sermos amigas a Kaline é infinitamente mais esperta do que eu. Uhh, e põe esperta nisso. Um homem pra enganar ela tem que ser O CARA. Eu não, sou mais coração. Sou enganada facilmente.

Mas voltemos ao texto e a sua possível cópia. A diferença entre o texto de Kaline e o meu é: esse é um breve relato de uma mulher (trouxa, admito) que foi enganada por um espertalhão desses que tem por aí. Pior (ou melhor, sei lá) é que ele é leitor do Blog então conseqüentemente ele vai saber que é ele. Espero que sirva pra ele de alguma forma.

Há pouco mais de um ano revi alguém com quem mantive uma relação há oito anos. Terminamos por vários motivos. Uns diziam que era amor demais e por isso não conseguíamos manter uma relação digamos assim estável. Brigas excessivas, ciúmes e imaturidade levaram ao fim do relacionamento. Sofri da minha forma e pelo que fiquei sabendo ele sofreu mais. Mas fomos adiante. Ele era incrível! Um amigo como poucos (daqueles pra todas as horas, no que fosse necessário), um filho amoroso (era o que mais amava nele, a união que via em sua família e principalmente a proximidade dele e da mãe já que até hoje eles são os melhores amigos) e o principal: amoroso ao extremo. Aí vocês me perguntam: por que você não ficou com ele? Mesmo com apenas cinco meses de namoro a relação se desgastou. E volto a bater na mesma tecla: éramos exageradamente imaturos pra entender tamanho do sentimento que tínhamos em nossos corações. Eu principalmente. Me via confusa, sem saber o que fazer. Ele deu suas mancadas, mas não o culpo em nenhum momento afinal também não fui perfeita.


E eis que o sentimento brotou mais uma vez em meu coração. O que eu fiz? Como mulher corajosa que sou corri atrás. Certo que tarde, mas segui meu coração. Uma coisa que deixei de contar quando fiz um relato da minha cirurgia foi um dos grandes motivos: ele. Imaginar que poderíamos voltar a termos aquilo que tínhamos antes, mas com a maturidade que veio com a gente durante todos os anos passados me impulsionou e me fez tomar coragem de fazer coisas em minha vida que eu nunca imaginaria que seria capaz de fazer. E esse mérito dele não tiro, ao contrário, agradeço.

Tentei de todas as formas fazer com que ficássemos juntos. Amei esse homem da forma mais pura e linda que pude. Atravessei o Brasil pra encontrá-lo, pra mostrar a ele a Karol que sou hoje. A mulher que me tornei depois de tantos anos. Fui lá e me entreguei. Dei a cara a tapa. Sem arrependimentos. E ainda hoje não me arrependo. O que descobri? Que eu não era a única na vida dele. Ou ao menos a quantidade era inúmeras vezes maior a que eu achava que existia. Que como eu, ele enganava a todas. E ainda era obrigada a ouvir esse homem dizer que dentre todas elas eu era especial apenas por que fui sua primeira namorada. E permiti que fosse enganada por muito tempo. Me iludia, sofria como uma condenada, chorava, ficava esperançosa, perdia as esperanças. Um turbilhão de sentimentos e emoções. Quase enlouqueci. E me matava por dentro a cada vez que me questionava: o que eu tenho de errado?

Nada Karol, você não tem nada de errado! Apenas não é ele! Repeti isso pra mim um trilhão de vezes, até que me convenci. Era o meu mantra diário. Repetia mais ainda a cada situação que ele me fazia passar. A cada namorada, a cada palavra mentirosa, a cada tentativa de me iludir. “Ele não é pra você”. E repetia, e repetia, e repetia... Com aquela dor indescritível, com lágrimas nos olhos repetia cada palavra.

Quanto ao amor? Amei sim. De verdade. Ele que não valorizou. Perdeu. E eu? Segui em frente. E continuo com aquela frase que repito milhões de vezes quando vejo alguém sofrendo por amor: “Isso passa”. E passa mesmo. Sou a prova viva disso! Dêem-se novas oportunidades, vão viver! Divirtam-se, trabalhem, ocupem suas mentes com algo produtivo. O tempo passa que nem percebemos. Eu tive um plus nessa história toda que não sei que vocês poderão ter: uma irmã de alma chamada Paula Kaline. Uma amiga com amor verdadeiro por você te tira de qualquer fundo do poço.

E a ele? A você só desejo amor. O amor que um dia tive por você. O amor que um dia CONSTRUÍMOS com tanta imaturidade e que quis de volta com cada célula do meu ser. Que você seja feliz. E eu também, claro!


Por Karoliny Dias
semessadeamelia@hotmail.com

Eu não vou fazer nada que você não queira... COMO?!




Quem nunca ouviu essa frase que atire a primeira pedra. Pois é, essa conversinha bonitinha há anos não engana mais. É aquela história do carinha que tá doido pra comer a mocinha e fica na frente do espelho "matutando" como vai ser feito o serviço, já que a mocinha é toda tirada a puritana. Sempre fui uma mulher muito bem resolvida e direta (tô longe de ser taxada como piriguete, tá gata?), nunca gostei dessa conversinha chata, cheia de blá blá blá. Uma mulher inteligente sabe reconhecer de longe quando o cara só quer tirar aquela famosa lasquinha, ou seja, comê-la. Já dizia a minha mãe (santa sabedoria materna): “primeiro eles te dão a comida e depois te comem”. E minha mãe não tava sendo radical quando soltou essa frase (ensinamento).

Observem que no primeiro dia, o cara prepara todo aquele ritual da conquista. Jantarzinho regado a um bom vinho, uma série de elogios que parecem um bombardeio, deixando o coração da mulher frágil (abestalhado) e completamente derretido. Depois de ter alimentado a sua presa em todos os aspectos, começa a parte que eu não suporto: o xavequinho pra levar pra cama. A mulher entra no carro, e vale ressaltar que o moçinho é quem nesse caso abre a porta para a princesa entrar (puro romantismo). E aí começa uma longa viagem...

Ela coitada, já tonta por conta daquele vinho adocicado (que ele jurou que quase não tinha álcool) fica a mercê. Então começa aqueles beijinhos ardentes, mordiscadas no pescoço, a típica língua no ouvido e uma porção de palavras lindas e excitantes. Então ela diz que não quer, junto com a desculpa esfarrapada do “ainda não é a hora certa, hoje é só o nosso primeiro encontro, ou vamos parar por aqui”.

Ele, que não é bobo nem nada, pára. E depois começa a tentar tudo novamente. Vale aqui lembrar que essa é a parte onde o casal ainda tá no carro. Daí que vem o baratino dele: namorar na rua é tão perigoso e começa a contar casos fictícios de acontecimentos com casais no carro, à mulher mais uma vez insegura é a primeira a se amedrontar e peca quando diz: “Então vamos sair daqui ao invés do seco me leve pra casa”. Ouvindo a frase que ele buscou desde o ensaio no espelho, ainda em casa. Finalmente é a hora de fazer aquele convite formulado por aquela velha frase clichê: “Vamos ao motel, só pra namorar e eu juro que não vou fazer nada que você não queira”. É nessa hora que digo meninas prepare-se, ele vai te comer. Ela aceita e o resto da historinha nem precisa eu contar (eles copularam).

Já fui umas duas vezes ao motel e não fiz nada. Certa vez o cara fez todo esse teatro citado acima e achei justo dar o troco nele, não dando aquilo que ele queria, mas deixei o pobre ir à loucura e fiz diferente dele. Quando o mesmo me perguntou por que não ia rolar, a bonita aqui jogou na sinceridade: “Simples, porque não tô afim”. Fui curta e grossa. Os homens de verdade, são mais diretos. Sabem fazer a coisa de um jeito tão envolvente que a mulher às vezes nem espera o convite e seus clichês. Ele consegue arrancar, através do olhar, do beijo que a mulher tá querendo sexo. Toda mulher tem um jeito diferente de dizer que tá afim de transar, algumas com um olhar mais sacana, outras através de um toque (seja lá onde for). Ainda tem aquelas que pedem de forma sutil, sem ser vulgar, de um jeito carinhoso (tira a calcinha no meio do jantar e coloca em cima da mesa rsrsrsr, tô só brincando).

Reflexão: Então meus meninos, não paguem de babaca. Dispensem esses clichês. Ousem, sem parecer cretinos, aproveitadores. Sem usar uma boa imagem pra impressionar e depois de comer e tchau. Não sejam animais. Sexo é bom, quando se tem desejo, vontade de ambas as partes. Deixem as coisas acontecerem de forma natural, sem forçar a barra. Homens que se portam desse jeito conseguem sim comer várias mulheres, mas só um vez. E o pior, não marcam de forma que a mulher nem lembra que foi comida por ele. É aquela onda de entrar na lista sabe?! Vocês descarregam toda a sua energia, mas o coração continua vazio. Lembrem-se que isso aqui é vida real e não um teste de elenco da novela das 8. Não sejam teatrais esqueçam as artes “cínicas”. Nós mulheres agradecemos. Obrigada! Sem mais.

Por Paula Kaline
Semessadeamelia@hotmail.com