quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Como reconhecer uma guerreira

Todos os dias pessoas morrem. Todos os dias vidas são tiradas pelo homem, por Deus, por si mesmas e assim, como diria Lulu Santos, caminha a humanidade. Nós sabemos disso, afinal não nascemos pra ficar pra semente como diz minha vó. É algo inerente a vida e o caminho de todos nós. O que nos deixa tristes é a forma como nos despedimos de pessoas que amamos. Quando tudo isso acontece com a gente passamos a repensar a vida.

Há três meses uma tia descobriu um câncer. Daqueles que quando aparecem já é para matar a pessoa. Pesquisei sobre ele na internet e descobri que a cada 100 mil casos diagnosticados de câncer, apenas dois são naquele local. Ele tem aqueles nomes beeeem difíceis sabe. Mas conheci-o com o nome de CA nas vias biliares. É inoperável, pois o paciente corre risco de vida pela toxidade dos líquidos que passam pelo local.

Minha guerreira já começou com o diagnóstico de que ela apenas poderia fazer a quimioterapia para dar um pouco mais de qualidade de vida. Cura? Só por um milagre. Cri nesse milagre desde o primeiro dia. E dizia sempre a ela “Isso tudo é passageiro. Creia, isso vai passar”. Aquele olhar esperançoso dela me dava forças. Mais do que eu, ela mesma cria em sua cura. Já era meio caminho andado. E foi assim até o último dia. Mesmo em uma cama de hospital, debilitada e sem conseguir falar direito ela cria que iria ficar curada. E eu? Cheguei aquele ponto que a minha fé dependia da dela.

Quem teve algum ente querido que tenha passado por isso entende o sofrimento. A dor de um paciente terminal de câncer não é só a física, mas a espiritual. Fico imaginando ela, que sempre foi o pilar de nossa família, aquela que apaziguava, que puxava as orações e agradecimentos em todas as festas que estávamos reunidos estar ali, inerte, sem poder fazer nada sofrendo pelo nosso sofrimento e ainda pelo dela. Não consigo nem imaginar a sua dor. Com o tempo o sentimento de impotência consome cada segundo da vida daqueles que estão ao redor. Vem aquela vontade de colocar nos braços e sair correndo pelo mundo pedindo socorro.

Mas quando percebemos que o sofrimento é muito maior do que o que podemos ver e agüentar nos desapegamos. Aí comecei a orar a Deus e dizer: “Seja feita a Tua Senhor vontade e não a minha”. E acreditem, vocês só saberão o verdadeiro valor e compreenderão essa frase apenas assim. E a minha guerreira nos deixou. Ela descansou. Ficou seu exemplo de fé (não importando a religião que ela tinha), de filha, de mãe, de esposa, de tia e principalmente o de mulher.

A senhora minha tia Germina dedico toda a minha admiração e o meu amor. Eu não agüentaria nada do que a senhora agüentou e passou nesses poucos três meses. E agradecemos a Deus todos os dias por termos tido a oportunidade de conviver com um anjo dEle na Terra, mesmo que por pouquíssimos 53 anos. E quem te conhece sabe que 53 anos é muito pouco tempo pra te ter. Descansa guerreira. Vamos seguir em frente. Mas a saudade dói, machuca. 



Por Karoliny Dias
semessadeamelia@hotmail.com

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