terça-feira, 29 de novembro de 2011

De uma leitora

Como bem disse, nós somos só olhos e ouvidos para vocês. Esse Blog é feito especialmente para todos os nossos leitores. Uma leitora especial, ela não quis se identificar, nos enviou por e-mail esse texto e pediu que ele fosse publicado. Uma coisa eu digo: ele é LINDO! E digo mais, tem muito de mim também. Por isso te digo leitora que você escreveu um pouco de minha história em suas palavras. Mas também, quem nunca?
Deliciem-se.
Karoliny Dias
Não existe flashback para quem nunca foi de verdade
O calor estava daqueles insuportáveis, com um ar tão pesado que quase pode-se tocar. Ela começou a achar que a viagem se tornava cada vez mais lenta, mas pra quem esperou por tanto tempo, valia a pena. Eram quatro anos. Tinha que valer. Os olhos pesados provocados pela vodca com gelo que no dia anterior tinha sido motivo de alegria, hoje tornava tudo mais dramático, com uma dor de cabeça que ameaçava chegar...
Ele impaciente esperava, olhava para o relógio, para o celular, para a TV e nada parecia dar respostas. Ainda estava cansado, de tanto nadar, correr, malhar, curtir e morrer na praia, esperar na esperança de que não fosse uma tentativa em vão. Depois de quatro anos, talvez fosse um novo começo. Ele a aguardava.

Ao chegar ela reconheceu os prédios e o cheiro que tanto amava rever e odiava ter deixado para trás, a cada quadra avançada, era um passo para frente (ou para trás?) num jogo que começou muito antes dos seus problemas.  Lá estava ela, diante do prédio onde tanto foi feliz,  infeliz, feliz novamente... Eram tantas dúvidas, mas o sentimento falou mais alto. Vendo rostos conhecidos e olhares atônitos, ela entrou no elevador e apertou o oitavo andar. A porta se fecha e tudo fica pra trás.
O calor que não passava, parece que aumentava com a intensidade e com as horas. Ele pôs seus pés 38 no chão branco de uma sala que por mais que tentasse nunca ficava arrumada. No canto uma caixa de som, sustentava alguns cd´s, muitos deles presentes dos dois, na época que eram dois, agora ele era só um, ou muitos como costumava dizer quando encontrava com os amigos. Sentia falta de ser dois.
Ela tocou a campainha. Ele ouviu a campainha.
Quando a porta se abriu, dois mundos se abriram. Nunca mais olhos com tanta cumplicidade se encontraram, era muito a se dizer em um só olhar. Ela nunca tinha visto ele tão bem, o corpo mais forte, se mostrava claramente pela camiseta verde água, a favorita dele, disso ela não tinha se esquecido. Ele viu a mesma menina de sempre, porém com uma maquiagem que mal disfarçava os olhos cansados de quem chorava por dentro, mas se mostrava forte por fora. Diante dele estava mulher que tanto amou e odiou.  
Naquele momento tudo lá fora parou. Os dois se abraçaram como irmãos. Beijaram-se como amantes. E fizeram amor como se fossem a última vez de suas vidas. Da mesma maneira que um maestro rege uma orquestra, eles tocavam um ao outro, sem esquecer nenhuma nota. Podia-se ouvir a música no ar.
O calor agora não parecia tão ruim, já que seus corpos nus, cansados, desfaleciam sobre a cama desarrumada... O olhar dos dois tentava se encontrar novamente, na penumbra que invadia o quarto. Eles sempre foram assim, um casal que não se via, mas se sentiam a todo momento.
E foi nessa hora que o tempo perdeu seu valor, e os anos pareceram segundos. Por que onde existe amor, o tempo para, somente para ser amado.

3 comentários:

  1. TEXTO ALTAMENTE ENVOLVENTE... ME SENTI LÁ, ASSISTINDO AO VIVO A ESSE FILME ROMÂNTICO, EMBORA SAIBA QUE, NESSE MOMENTO SÓ CABEM DOIS...

    THAYS BAHIA!

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  2. Bom, muito bom... lembranças e desejos...

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